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Engenharia de Sucesso

Do sol escaldante ao canudo: O engenheiro piauiense que transformou a venda de gás em diploma de Engenharia Civil

O Símbolo da Conquista

O peso sobre os ombros de Hélio Neto durante a sua formatura em Engenharia Civil não era apenas o de um botijão de gás de 13kg. No norte do Piauí, a cena do jovem de 23 anos entrando no recinto solene carregando o objeto metálico capturou a essência de uma jornada de cinco anos de sacrifício. Para quem assistia, era um gesto inusitado; para Hélio, era a materialização da ferramenta de trabalho que financiou seu sonho. O botijão, que o acompanhou nas entregas sob o sol escaldante, tornou-se o troféu que simbolizava a resistência de quem transformou o suor em educação.

A Rotina de um “Visionário”: Entre Brasileira e Piripiri

A trajetória de Hélio foi marcada por uma logística implacável. Residente em Brasileira, ele cruzava a estrada diariamente rumo a Piripiri para frequentar as aulas presenciais. A rotina exigia disciplina militar: de segunda a sexta-feira, o despertador tocava cedo para que ele pudesse gerenciar seu negócio e realizar entregas com o apoio fundamental de um tio.

O esforço não se limitava ao horário comercial. Após o trajeto intermunicipal de ônibus ao fim das aulas, Hélio ainda enfrentava o trecho final do percurso até sua casa caminhando. Mais do que um esforço físico, tratava-se de uma mentalidade que o próprio jovem define como estratégica. “Sempre pensei grande, sou visionário”, afirmou o estudante ao descrever sua autoconfiança.

“Não foi fácil trabalhar e estudar. Muito trabalho, acordando muito cedo para fazer as atividades da minha empresa e atender todos os clientes. Minha faculdade era presencial de segunda a sexta e eu todo dia ia pegar o ônibus e voltava da aula caminhando. Sempre acreditei nos meus estudos e que eu era capaz.”

O “Gás” para o Sucesso: Diversificação e Empreendedorismo

Diferente de muitos que buscam bicos temporários, Hélio fundou sua própria frente de trabalho logo no início da graduação. O negócio do gás não foi apenas uma fonte de renda, mas o capital inicial que permitiu a expansão para outras frentes empreendedoras, cobrindo metade da mensalidade e os custos de vida:

  • Venda de gás de cozinha: O pilar central de seu sustento e a “chave principal” que abriu portas para novos investimentos.
  • Venda de adubo para plantas: Uma diversificação estratégica para aumentar a margem de lucro mensal.
  • Coleta de ferro velho e materiais recicláveis: Nos fins de semana, o descanso era substituído por viagens para cidades do interior, onde ele carregava caminhões com produtos para revenda.

Superando o Cansaço: O Desafio Acadêmico

O rigor técnico da Engenharia Civil impunha uma barreira adicional: o esgotamento. Hélio relatou a dificuldade de transitar do trabalho braçal matutino, exposto ao forte sol piauiense, para a complexidade dos cálculos e teorias à tarde. Ele confessa que, em muitos momentos, o corpo pedia trégua e a mente tinha dificuldade em absorver o conteúdo técnico devido à exaustão física.

Contudo, a resiliência falou mais alto. O jovem transformou metaforicamente o cansaço no “gás” que faltava para impulsionar seus estudos. Com uma determinação férrea, ele estabeleceu a meta de ter zero faltas, garantindo que nenhum sacrifício no sol fosse em vão diante dos livros.

Futuro: Engenharia e Continuidade nos Negócios

Com o diploma em mãos, o agora engenheiro Hélio Neto não pretende abandonar as raízes que o trouxeram até aqui. Ele já deu início à sua pós-graduação e planeja manter a empresa de gás, mas com uma transição importante na logística: a meta agora é adquirir um carro. O veículo representa o próximo passo da evolução profissional, substituindo o esforço de carregar o peso nos ombros pela eficiência de um empreendimento em crescimento. Sua trajetória encerra este capítulo provando que, para um verdadeiro visionário, o trabalho pesado é apenas o combustível para voos mais altos.

Fonte da Notícia

As informações contidas nesta reportagem foram baseadas em dados apurados pelo portal g1 Piauí, em texto das repórteres Gabriely Corrêa e Sthefany Prado, sob supervisão de Lucas Marreiros.

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